CHICO MENDES
O assassinato do homem que sabia que estava ameaçado
22 de dezembro de 1988. Xapuri, Acre.
Naquela noite, Chico Mendes estava em sua própria casa.
Ele tinha 44 anos e já havia recebido ameaças de morte. Sua atuação na defesa dos seringueiros e contra a derrubada da floresta havia provocado conflitos cada vez maiores na região.
Pouco antes do crime, ele havia inclusive comunicado às autoridades que estava sendo ameaçado.
Naquela noite, entretanto, a ameaça se transformaria em realidade.
Um tiro.
Uma casa.
Uma emboscada.
E um assassinato que ultrapassaria as fronteiras do Acre.
QUEM ERA CHICO MENDES?
Francisco Alves Mendes Filho nasceu em 15 de dezembro de 1944, em Xapuri, no Acre.
Filho de seringueiro, conheceu desde criança a difícil rotina dos trabalhadores dos seringais. Começou a trabalhar ainda muito jovem e somente aprendeu a ler na idade adulta.
Com o passar dos anos, passou a organizar os trabalhadores e a denunciar os conflitos envolvendo a derrubada da floresta.
Sua luta não era somente pela preservação das árvores. Ele defendia também que os seringueiros e outras comunidades tradicionais pudessem continuar vivendo da floresta.
AS AMEAÇAS
A atuação de Chico Mendes fez com que ele se tornasse uma das principais lideranças dos trabalhadores dos seringais.
Mas também trouxe inimigos.
A região vivia conflitos relacionados à terra e à expansão das áreas destinadas à pecuária. Para os seringueiros, a derrubada da floresta significava perder o território de onde tiravam seu sustento.
Chico passou a organizar os chamados “empates”, mobilizações em que os trabalhadores tentavam impedir a derrubada das árvores.
Com o aumento dos conflitos, aumentaram também as ameaças.
E Chico sabia disso.
A CARTA ESCRITA ANTES DE MORRER
Um dos aspectos mais inquietantes do caso é que Chico Mendes registrou por escrito que estava sendo ameaçado.
Em 28 de outubro de 1988, menos de dois meses antes de seu assassinato, ele escreveu ao juiz de Xapuri relatando as ameaças e pedindo proteção.
A documentação sobre sua trajetória preserva essa informação.
A NOITE DO ASSASSINATO
Era 22 de dezembro de 1988.
Chico Mendes estava em sua residência, em Xapuri.
Ao sair para a área externa da casa, foi atingido por um disparo de espingarda.
O crime aconteceu no próprio quintal.
A casa, que deveria representar segurança, tornou-se o cenário do assassinato.
Chico morreu aos 44 anos.
A Prefeitura de Xapuri confirma que foi nessa residência que Chico viveu com a família e foi assassinado em 22 de dezembro de 1988.
A CASA DO CRIME
Hoje, a residência é um dos lugares mais importantes para compreender a história de Chico Mendes.
A construção simples de madeira permanece associada aos últimos momentos de sua vida.
O local passou por trabalhos de preservação e reabertura ao público, mantendo objetos relacionados à vida do seringueiro e à história dos trabalhadores da região.
A INVESTIGAÇÃO
Depois do assassinato, começou uma investigação que rapidamente ganhou repercussão nacional.
A polícia procurou reconstruir os acontecimentos daquela noite e identificar não apenas quem havia disparado contra Chico, mas também quem estaria por trás do crime.
O caso chamou atenção porque havia um histórico anterior de ameaças.
Entre os elementos investigados estavam depoimentos e evidências materiais.
A documentação histórica sobre o caso registra inclusive exames periciais relacionados a fios de cabelo encontrados em material associado à investigação.
QUEM FOI ACUSADO?
As investigações apontaram Darci Alves Pereira como autor do disparo e Darly Alves da Silva, seu pai, como mandante.
Os dois foram posteriormente julgados pelo assassinato.
O processo tornou-se um dos casos criminais mais conhecidos da história recente do Acre.
O JULGAMENTO
Em dezembro de 1990, dois anos depois da morte de Chico Mendes, ocorreu o julgamento dos acusados.
O processo foi acompanhado por jornalistas e representantes de organizações que haviam se mobilizado após o assassinato.
A acusação sustentou que o crime havia sido planejado.
Os dois réus foram condenados a 19 anos de prisão.
Documentos históricos preservados pelo governo federal registram o julgamento ocorrido em Xapuri em dezembro de 1990.
O ENTERRO
A morte de Chico Mendes provocou uma grande comoção.
Seu enterro aconteceu em 23 de dezembro de 1988, em Xapuri.
Fotografias daquele momento fazem parte de acervos históricos sobre sua trajetória. (Acervo Socioambiental)
O ASSASSINATO QUE DEU A VOLTA AO MUNDO
A morte de Chico Mendes provocou enorme repercussão.
O homem que já era conhecido por sua atuação entre os seringueiros passou a ser lembrado internacionalmente.
Seu assassinato chamou atenção para os conflitos fundiários do Acre e para a situação das comunidades que viviam na floresta.
Paradoxalmente, o crime que pretendia silenciar Chico Mendes fez sua história alcançar ainda mais pessoas.
O LEGADO
Depois de sua morte, a proposta das reservas extrativistas ganhou ainda mais visibilidade.
A ideia defendida pelo movimento dos seringueiros era preservar a floresta permitindo que as comunidades tradicionais continuassem vivendo e trabalhando nela.
A Reserva Extrativista Chico Mendes recebeu o nome do líder seringueiro.
CURIOSIDADES SOBRE O CASO
• Ele tinha 44 anos.
• O julgamento ocorreu quase dois anos depois.
• O caso teve repercussão internacional.
• Fotografias, documentos e objetos pessoais continuam sendo utilizados para preservar sua memória.
QUANDO A AMEAÇA VIROU REALIDADE
Existem crimes que chamam atenção pelo mistério.
Outros, pela violência.
E alguns permanecem na memória porque permitem reconstruir uma sequência de acontecimentos que começou muito antes do momento do assassinato.
O caso Chico Mendes pertence a essa última categoria.
As ameaças vieram antes.
O pedido de proteção veio antes.
Os conflitos já existiam.
E então veio a noite de 22 de dezembro de 1988.
Um disparo dentro do quintal de sua própria casa encerrou a vida de Chico Mendes.
Mas não encerrou sua história.
Hoje, fotografias, documentos, a própria casa e os locais onde ele viveu ajudam a reconstruir aquilo que aconteceu.
E talvez uma das partes mais marcantes dessa história seja justamente esta:
Chico Mendes avisou que estava ameaçado.
E menos de dois meses depois de registrar esse pedido de proteção, foi assassinado.
GALERIA FINAL — CHICO MENDES
Fontes fotográficas encontradas: UOL possui um acervo com 15 fotografias históricas de Chico Mendes; a Agência Brasil mantém uma galeria sobre sua trajetória; e o IPHAN possui documentação fotográfica da Casa de Chico Mendes.
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