domingo, 27 de setembro de 2026

TRUE CRIME: POR QUE NOS INTERESSAMOS TANTO POR HISTÓRIAS DE CRIMES REAIS?

A pesquisa psicológica mais recente também ajuda bastante nessa abordagem: estudos apontam motivos como curiosidade sobre informações negativas, busca de emoção e vigilância defensiva — isto é, o interesse em compreender perigos para se sentir mais preparado diante deles. 

TRUE CRIME: POR QUE NOS INTERESSAMOS TANTO POR HISTÓRIAS DE CRIMES REAIS?

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O fascínio pelo lado mais sombrio da realidade

Quando ouvimos a expressão True Crime, pensamos imediatamente em assassinatos, desaparecimentos, serial killers, investigações policiais, julgamentos, crimes sem solução e histórias que parecem impossíveis de terem acontecido.

Nos últimos anos, o gênero ganhou uma enorme presença em documentários, séries, filmes, podcasts, livros, canais na internet e redes sociais.

Mas existe uma pergunta interessante:

Será que a sociedade só passou a se interessar por crimes reais agora?

A resposta é não.

O interesse humano por crimes, mortes, criminosos e acontecimentos considerados chocantes é muito mais antigo do que a internet e muito anterior às plataformas de streaming.

Na verdade, o crime sempre despertou curiosidade porque envolve algo que provoca uma reação muito profunda no ser humano: o desejo de entender aquilo que ameaça nossa segurança.

Jornais já publicavam histórias de crimes desde os séculos passados, e no século XIX surgiram publicações dedicadas a acontecimentos policiais, muitas vezes utilizando ilustrações dramáticas e manchetes sensacionalistas para atrair leitores. 


O QUE SIGNIFICA TRUE CRIME?

True Crime, em tradução literal, significa “crime verdadeiro”.

É o gênero dedicado a contar e analisar acontecimentos criminais que realmente aconteceram.

Pode envolver:

  • assassinatos;

  • desaparecimentos;

  • sequestros;

  • crimes em série;

  • roubos famosos;

  • golpes;

  • crimes históricos;

  • casos sem solução;

  • erros judiciários;

  • investigações policiais;

  • julgamentos;

  • crimes que mudaram leis ou comportamentos sociais;

  • criminosos que ficaram conhecidos;

  • vítimas que tiveram suas histórias esquecidas;

  • casos misteriosos e controversos.

E existe uma característica fundamental:

não se trata de uma história inventada.

Por trás de cada caso existe uma vítima, uma família, investigadores, testemunhas e consequências reais.

Por isso, falar sobre True Crime também significa falar sobre pessoas reais e acontecimentos que deixaram marcas reais.


MAS POR QUE AS PESSOAS GOSTAM DE TRUE CRIME?

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Essa talvez seja a parte mais curiosa.

Como podemos sentir tanto interesse por acontecimentos que envolvem medo, violência e morte?

A psicologia ainda investiga esse fenômeno, mas pesquisas apontam que não existe uma única explicação.

Um estudo publicado no British Journal of Psychology, envolvendo centenas de participantes, identificou diferentes motivos relacionados ao consumo de True Crime, entre eles a curiosidade por informações negativas, a busca por emoção e a chamada vigilância defensiva. 

Em outras palavras, algumas pessoas podem procurar essas histórias simplesmente porque querem compreender:

“Como isso aconteceu?”

“O que levou uma pessoa a fazer isso?”

“Havia sinais antes?”

“Será que alguma coisa poderia ter sido percebida?”

“Como alguém poderia ter evitado aquela situação?”

E essas perguntas são muito diferentes de simplesmente admirar um criminoso.


A CURIOSIDADE PELO PERIGO É ANTIGA

O ser humano sempre teve curiosidade sobre aquilo que representa perigo.

É possível observar isso em diferentes épocas: histórias de assassinatos, julgamentos públicos, criminosos famosos, execuções, lendas sobre crimes e relatos de acontecimentos considerados extraordinários circularam muito antes da televisão.

Com o crescimento da imprensa, essas histórias passaram a alcançar um público cada vez maior.

No século XIX, jornais e publicações especializadas dedicavam espaço considerável aos crimes. O surgimento de publicações como The Illustrated Police News, no Reino Unido, mostra que a cobertura popular de crimes já fazia parte da cultura da imprensa muito antes do século XX. 

Um exemplo particularmente conhecido é o caso de Helen Jewett, ocorrido em Nova York em 1836. O assassinato recebeu enorme atenção pública e foi explorado por jornais e publicações da época, mostrando que a sociedade já acompanhava crimes reais como histórias de grande interesse muito antes da existência da televisão ou da internet. 


ENTÃO O TRUE CRIME NÃO NASCEU COM A INTERNET

Não.

A internet apenas mudou a maneira como consumimos essas histórias.

Antes, uma pessoa podia descobrir um crime através de:

jornais → revistas → livros → rádio → televisão → documentários

Hoje temos:

sites → YouTube → podcasts → redes sociais → plataformas de streaming → fóruns → documentários digitais

A diferença está principalmente na velocidade e na quantidade de informação disponível.

Um crime ocorrido há cem anos pode ser pesquisado hoje em poucos minutos.

Documentos podem ser digitalizados.

Fotografias antigas podem ser encontradas.

Jornais históricos podem ser comparados.

Processos judiciais podem ser pesquisados.

Depoimentos podem ser analisados.

E isso transformou o True Crime também em uma forma de pesquisa histórica.

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POR QUE TENTAMOS ENTENDER A MENTE DE UM CRIMINOSO?

Essa é uma das partes mais controversas do True Crime.

Quando estudamos um criminoso, não significa necessariamente que estamos interessados nele como pessoa admirável.

Muitas vezes queremos compreender:

O que aconteceu antes do crime?

Existiam comportamentos preocupantes?

Como aquela pessoa tratava os outros?

Como manipulava as pessoas ao redor?

Como conseguiu esconder determinadas atitudes?

Alguém percebeu alguma coisa?

Havia sinais ignorados?

Como familiares, amigos ou colegas reagiram?

Essas perguntas podem transformar uma história criminal em uma oportunidade de compreender comportamentos perigosos e mecanismos de manipulação.

Mas é importante fazer uma distinção.

Uma característica isolada NÃO transforma alguém em criminoso.

Uma pessoa ser reservada, gostar de ficar sozinha, ter temperamento difícil ou apresentar determinados comportamentos não significa que ela seja perigosa.

Não existe uma “lista mágica” capaz de identificar um criminoso.

O que pode ser estudado são conjuntos de comportamentos, contextos, padrões de abuso, manipulação, ameaças e escaladas de violência, sempre levando em consideração as circunstâncias de cada caso.


TRUE CRIME TAMBÉM PODE SER UMA FORMA DE PREVENÇÃO

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É justamente aqui que entra uma das propostas deste espaço.

Conhecer histórias reais pode ajudar a reconhecer situações de risco.

Não porque alguém possa prever um crime apenas observando uma pessoa.

Mas porque determinadas situações merecem atenção.

Relacionamentos abusivos, ameaças, perseguições, controle excessivo, isolamento da vítima, violência doméstica, manipulação, chantagem e escalada de agressividade são assuntos que podem ser discutidos a partir de casos reais.

Um caso pode fazer alguém pensar: “Eu já vi esse comportamento antes.”

Ou: “Isso que está acontecendo comigo não parece normal.”

Ou ainda: “Preciso procurar ajuda.”

Nesse sentido, conhecer histórias de crimes pode contribuir para uma percepção maior sobre segurança, comportamento e prevenção.


NÃO É SOBRE IDOLATRAR CRIMINOSOS

Este ponto merece ser muito claro.

O interesse por True Crime não significa admiração pelo criminoso.

É possível estudar um assassino sem admirá-lo.

É possível pesquisar um serial killer sem transformar sua história em espetáculo.

É possível tentar entender uma mente criminosa sem justificar suas atitudes.

E é possível contar uma história assustadora sem esquecer quem sofreu as consequências dela.

Aqui, o criminoso não deve ser transformado em celebridade.

A história deve ser analisada pelo que ela pode revelar.

Sobre o crime.

Sobre a investigação.

Sobre a vítima.

Sobre a sociedade.

Sobre os erros cometidos.

Sobre os sinais ignorados.

Sobre aquilo que poderia ter sido diferente.


E AS VÍTIMAS?

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes quando falamos sobre True Crime.

Existe o risco de uma história criminal acabar sendo lembrada apenas pelo nome do criminoso.

Quando isso acontece, a vítima pode desaparecer da própria história.

Por isso, uma abordagem responsável deve procurar recuperar também:

  • quem era a vítima;

  • como era sua vida;

  • sua família;

  • seus sonhos;

  • seu trabalho;

  • seus relacionamentos;

  • aquilo que aconteceu com seus familiares depois do crime;

  • e, principalmente, sua humanidade.

A vítima não deve ser reduzida simplesmente à condição de “vítima de determinado criminoso”.

Ela era uma pessoa antes de aquele crime acontecer.


O LADO SOMBRIO DA CURIOSIDADE

Existe também um aspecto que não podemos ignorar.

A curiosidade pode fazer com que algumas pessoas procurem detalhes cada vez mais chocantes.

É nesse ponto que o True Crime pode ultrapassar a investigação e entrar no território do sensacionalismo.

Fotografias de cenas de crime, detalhes extremamente violentos e sofrimento real podem despertar curiosidade, mas precisam ser tratados com responsabilidade.

O fato de uma imagem existir não significa necessariamente que ela precise ser exibida.

E o fato de uma informação ser chocante não significa que ela seja importante para compreender o caso.

Informar é diferente de explorar o sofrimento.


O TRUE CRIME PODE ENSINAR?

Pode.

Dependendo da forma como o caso é apresentado, ele pode levar o leitor a conhecer assuntos como:

  • Investigação criminal

Como investigadores reconstroem acontecimentos e analisam evidências.

  • Perícia

Como vestígios podem ajudar a reconstruir uma cena.

  • Justiça

Como funcionam julgamentos, acusações, provas e condenações.

  • Comportamento humano

Como manipulação, abuso e violência podem aparecer em determinados contextos.

  • História

Como um crime pode revelar características da sociedade em determinada época.

  • Segurança

Como determinadas situações de risco podem ser reconhecidas e enfrentadas.

  • Prevenção

Como informações podem ajudar pessoas a perceber situações potencialmente perigosas e procurar ajuda.


O QUE A INTERNET MUDOU?

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A internet transformou o True Crime em um fenômeno de alcance mundial.

Hoje uma pessoa pode conhecer um crime ocorrido do outro lado do planeta.

Pode assistir a documentários.

Ouvir podcasts.

Ler processos.

Pesquisar jornais antigos.

Comparar versões.

Encontrar fotografias históricas.

E até acompanhar novas descobertas de casos antigos.

Mas essa facilidade trouxe também um problema:

a quantidade de informação não significa necessariamente qualidade da informação.

Uma publicação pode misturar fatos comprovados com rumores.

Uma fotografia pode ser atribuída ao caso errado.

Uma história pode ser repetida tantas vezes que uma versão incorreta passa a parecer verdadeira.

Por isso, pesquisar True Crime exige cuidado.


TRUE CRIME E A RESPONSABILIDADE DE CONTAR UMA HISTÓRIA

Quando falamos sobre crimes reais, existe uma responsabilidade diferente daquela existente ao contar uma ficção.

Na ficção, personagens podem ser inventados.

No True Crime, não.

As pessoas existiram.

As famílias existem.

As consequências existiram.

E algumas delas ainda existem.

Por isso, uma boa matéria deve diferenciar:

o que está comprovado;

o que foi alegado;

o que permanece desconhecido;

o que é hipótese;

e o que é apenas especulação.

Essa diferença é fundamental para preservar a história e evitar transformar rumores em fatos.


POR QUE CONTINUAREMOS FALANDO SOBRE TRUE CRIME?

Porque crimes fazem parte da história da humanidade.

Alguns casos desapareceram das manchetes.

Outros ficaram famosos.

Alguns foram solucionados.

Outros continuam sem resposta.

Há crimes que ajudaram a modificar leis.

Há casos que mudaram procedimentos policiais.

Há histórias que revelaram falhas na Justiça.

Há vítimas que durante décadas foram esquecidas.

E há mistérios que continuam despertando perguntas.

Estudar essas histórias não significa viver fascinado pela violência.

Pode significar simplesmente tentar entender como chegamos até determinado acontecimento e o que podemos aprender com ele.


A PROPOSTA DO SCORPIONS CRIMES E MISTÉRIOS

Este espaço nasce justamente desse interesse.

Não para glorificar criminosos.

Não para transformar assassinos em ídolos.

Não para romantizar a violência.

Mas para pesquisar, contar e preservar histórias que despertam perguntas.

Aqui, cada caso pode ser observado por diferentes ângulos:

Quem eram as vítimas?

Quem eram os envolvidos?

O que aconteceu?

Como a investigação foi conduzida?

Quais provas existiam?

O que permaneceu sem resposta?

Existiam sinais anteriores?

O que podemos aprender com o caso?

E, principalmente:

O que essa história pode nos ensinar sobre o mundo em que vivemos?


CURIOSIDADE: POR QUE SENTIMOS MEDO E CONTINUAMOS LENDO?

Existe uma aparente contradição no True Crime.

A pessoa sabe que a história será assustadora.

Sabe que provavelmente encontrará morte, violência ou sofrimento.

Mesmo assim, continua lendo.

Pesquisadores chamam atenção para o fenômeno da curiosidade mórbida, relacionado ao interesse humano por informações negativas, ameaças e situações perigosas. Estudos indicam que esse interesse pode envolver diferentes motivações e não deve ser explicado por uma única característica de personalidade.

Talvez uma das perguntas mais interessantes seja justamente esta:

Por que queremos olhar para aquilo que nos assusta?

Talvez porque, ao compreender o perigo, tentemos torná-lo um pouco menos desconhecido.


E TALVEZ ESSA SEJA A GRANDE QUESTÃO DO TRUE CRIME

Nós não conseguimos controlar tudo o que acontece ao nosso redor.

Não podemos prever todos os crimes.

Não podemos identificar um criminoso apenas olhando para ele.

Não podemos acreditar que conhecer algumas características de determinados criminosos nos dará uma fórmula para descobrir quem é perigoso.

Mas podemos conhecer histórias.

Podemos aprender sobre violência.

Podemos reconhecer comportamentos abusivos.

Podemos prestar atenção a situações de risco.

Podemos questionar informações.

Podemos aprender sobre investigação.

Podemos compreender como erros aconteceram.

E podemos lembrar que, por trás de cada caso, existiram pessoas.


POR ISSO, ESTE BLOG NÃO É SOBRE ADMIRAR O CRIME.

É sobre tentar entendê-lo.

É sobre resgatar histórias.

É sobre investigar o que ficou registrado.

É sobre separar fato de especulação.

É sobre lembrar vítimas.

É sobre conhecer mistérios.

É sobre compreender comportamentos.

E, quando possível, transformar conhecimento em atenção e prevenção.

Porque talvez a pergunta mais importante depois de conhecer uma história de crime não seja: “Como alguém conseguiu fazer isso?”

Mas sim: “O que podemos aprender com isso para que outras pessoas estejam mais preparadas?”

JOHN LIST — O HOMEM QUE MATOU A PRÓPRIA FAMÍLIA E DESAPARECEU POR 18 ANOS

JOHN LIST — O HOMEM QUE MATOU A PRÓPRIA FAMÍLIA E DESAPARECEU POR 18 ANOS

Um dos casos mais impressionantes de familicídio dos Estados Unidos começou em uma mansão de Westfield, em Nova Jersey, em novembro de 1971. John Emil List matou a mãe, a esposa e os três filhos e desapareceu. Durante quase duas décadas, conseguiu construir uma nova identidade e viver como se o passado jamais tivesse existido.

ATENÇÃO: esta matéria aborda assassinato de familiares, incluindo adolescentes, e contém conteúdo sensível.

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UM HOMEM APARENTEMENTE COMUM

John Emil List nasceu em 17 de setembro de 1925, em Bay City, Michigan. Durante a vida adulta, construiu uma imagem bastante diferente daquela que posteriormente seria conhecida pelo público.

Era contador, tinha formação universitária, frequentava uma igreja luterana e chegou a atuar como professor de escola dominical e líder de escoteiros. Para vizinhos e conhecidos, parecia ser um homem reservado e disciplinado.

Em determinado momento, List mudou-se com a família para Westfield, Nova Jersey, onde passou a morar em uma grande residência conhecida como Breeze Knoll, uma mansão de 19 cômodos.

Ali viviam List, sua esposa Helen, os três filhos e sua mãe, Alma.

A vida financeira da família, porém, estava longe da aparência de estabilidade que a casa transmitia.

List enfrentava problemas profissionais e financeiros. Segundo relatos apresentados posteriormente no processo, havia dívidas e dificuldades relacionadas às hipotecas da residência. Ele também havia utilizado dinheiro pertencente à mãe. 

Mas as dificuldades financeiras foram apenas parte da história apresentada posteriormente pelas autoridades e pela defesa.


9 DE NOVEMBRO DE 1971

Na manhã de 9 de novembro de 1971, List colocou em prática o plano que vinha preparando.

Sua esposa, Helen, de 45 anos, foi morta dentro da residência.

Sua mãe, Alma, de 84 anos, também foi assassinada.

Depois, seus filhos:

  • Patricia, 16 anos

  • John Jr., 15 anos

  • Frederick, 13 anos

também foram mortos.

Ao todo, cinco integrantes da família foram assassinados. 

A investigação posteriormente revelou que os assassinatos não foram um ato repentino ocorrido em poucos minutos. List tomou diversas providências para dificultar a descoberta dos corpos.


O PLANO PARA FAZER A FAMÍLIA “DESAPARECER”

Um dos aspectos mais perturbadores do caso foi a organização demonstrada por List depois dos assassinatos.

Ele cancelou entregas de jornal, leite e correspondência, diminuindo a possibilidade de alguém perceber imediatamente que havia alguma coisa errada na residência.

Também entrou em contato com as escolas dos filhos e apresentou uma explicação para a ausência deles.

A família aparentemente havia simplesmente viajado.

Enquanto isso, List deixou os corpos dentro da própria casa.

Quando a polícia finalmente entrou na residência, em dezembro, os investigadores encontraram os corpos da esposa e dos filhos no salão da casa. Alma estava em outra parte da residência. 


AS FOTOGRAFIAS QUE SE TORNARAM IMPORTANTES

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A investigação teve uma dificuldade adicional: List havia destruído ou retirado muitas fotografias recentes suas da casa.

Isso dificultou bastante a divulgação de uma imagem atualizada do fugitivo.

Seu carro foi posteriormente localizado no aeroporto JFK, em Nova York, mas List já havia desaparecido.

O FBI e a polícia receberam informações que supostamente o colocavam em diferentes partes dos Estados Unidos, mas durante anos nenhuma delas levou à sua localização. 


A CARTA DE CINCO PÁGINAS

Dentro da residência, investigadores encontraram uma carta de várias páginas dirigida ao pastor de List.

O documento se tornou uma das peças mais importantes para compreender como List tentava justificar aquilo que havia feito.

Segundo os relatos do processo, ele escreveu que acreditava que sua família estava se afastando da religião e apresentou uma justificativa religiosa para os assassinatos.

List também relacionou sua decisão às dificuldades que enfrentava.

É importante destacar que essas explicações representam a justificativa apresentada pelo próprio criminoso, e não uma explicação aceita como desculpa para os assassinatos.

A carta demonstrava que o crime havia sido pensado anteriormente. 


O DESAPARECIMENTO

Depois de matar a família, List deixou Westfield.

Ele abandonou seu automóvel próximo ao aeroporto JFK e começou uma nova vida.

Durante os anos seguintes, passou por diferentes lugares e utilizou o nome:

Robert Peter “Bob” Clark

A investigação posteriormente estabeleceu que List conseguiu viver durante anos sem ser reconhecido.

Ele mudou-se para o Colorado, trabalhou, frequentou uma igreja e, posteriormente, conheceu Delores Miller.

Em 1985, os dois se casaram.

List havia conseguido algo que parecia improvável: transformar-se em outra pessoa aos olhos de todos ao seu redor.


18 ANOS SEM SER ENCONTRADO

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Durante quase 18 anos, John List permaneceu desaparecido.

Mas havia um problema para os investigadores:

como mostrar ao público a aparência de um homem que havia envelhecido quase duas décadas?

Uma fotografia de 1971 mostrava um homem de meia-idade.

Em 1989, ele já deveria estar na casa dos 60 anos.

Foi então que entrou em cena um dos elementos mais curiosos de toda a investigação.


A ESCULTURA QUE AJUDOU A CAPTURÁ-LO

O programa de televisão America's Most Wanted decidiu apresentar o caso.

Para representar como List poderia estar quase duas décadas depois dos assassinatos, foi produzido um busto de envelhecimento pelo artista forense Frank Bender.

Bender estudou fotografias antigas de List e contou com informações de especialistas para imaginar como seu rosto poderia ter envelhecido.

O resultado foi impressionante.

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O busto apresentava List mais velho, com entradas no cabelo, alterações no rosto e óculos.

A reconstrução acabou ficando muito próxima da aparência que ele realmente tinha naquele momento.

O próprio trabalho de Bender se tornou posteriormente um exemplo conhecido da utilização de arte forense em investigações criminais. 


A TELEVISÃO MUDA O RUMO DO CASO

Em 21 de maio de 1989, o caso foi apresentado no programa America's Most Wanted.

Uma pessoa que havia conhecido List anteriormente viu a reconstrução apresentada na televisão e percebeu uma semelhança com um homem conhecido como Bob Clark.

A informação chegou às autoridades.

List estava vivendo na região de Richmond, Virgínia.

Em 1º de junho de 1989, agentes do FBI foram até seu local de trabalho.

O homem encontrado ali continuou afirmando que era Robert Clark.

Mas as impressões digitais acabariam com a dúvida.

Elas confirmaram sua verdadeira identidade. 


A CAPTURA DE JOHN LIST

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A prisão de List encerrou uma das maiores buscas por um fugitivo da história do caso.

Durante a investigação, ele inicialmente insistiu que não era John List.

A identificação por impressões digitais, porém, tornou a situação incontornável.

O homem que havia desaparecido em 1971 finalmente estava sob custódia.

Ele foi extraditado para Nova Jersey para responder pelos cinco assassinatos.


O JULGAMENTO

O julgamento aconteceu em 1990.

A defesa apresentou argumentos relacionados ao estado psicológico de List e às circunstâncias que teriam contribuído para suas decisões.

Entre as questões discutidas estavam suas dificuldades financeiras e sua visão religiosa.

A acusação, por outro lado, apresentou as evidências que demonstravam o planejamento dos assassinatos.

Em 12 de abril de 1990, o júri o considerou culpado de cinco acusações de homicídio em primeiro grau. 

A sentença foi de:

cinco penas consecutivas de prisão perpétua.

O ASSASSINATO DA FAMÍLIA MARKLES

JOHN MARKLE: O FILHO DA VOZ DE PAZUZU QUE TRANSFORMOU UMA TRAGÉDIA FAMILIAR EM UM DOS CASOS MAIS SOMBRIOS DE LITTLE ROCK

Um crime real envolvendo dinheiro, uma família destruída, uma máscara encontrada na cena e uma ligação inesperada com uma das vozes mais assustadoras da história do cinema

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Caso Gabriel Kuhn

Caso Gabriel Kuhn: a tragédia que começou com uma amizade e terminou em assassinato

Conteúdo sensível: esta matéria aborda assassinato de uma criança, abuso sexual e violência extrema. As imagens utilizadas não são gráficas. 

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O caso de Gabriel Kuhn é um dos crimes brasileiros que mais permaneceram associados à história da internet e dos fóruns de crimes reais. Em 23 de julho de 2007, em Blumenau, Santa Catarina, Gabriel, então com 12 anos, foi assassinado por Daniel Petry, que tinha 16 anos.

Durante muito tempo, o caso circulou na internet acompanhado de uma explicação simplificada: a de que uma discussão relacionada ao jogo Tibia teria provocado o assassinato. Investigações posteriores, entretanto, apontaram que a história era muito mais complexa e que a disputa pelo jogo não explicava sozinha o crime. 


Quem era Gabriel Kuhn?

Gabriel Guillermo Kuhn nasceu em 21 de março de 1995 e morava com sua família no bairro Velha Central, em Blumenau.

Ele tinha 12 anos quando morreu.

Gabriel conhecia Daniel Petry, seis anos mais velho. Os dois moravam próximos e tinham em comum o interesse pelo Tibia, um MMORPG que fazia bastante sucesso entre crianças e adolescentes naquele período.

A convivência entre os dois fez com que Daniel frequentasse a casa de Gabriel e que os dois compartilhassem momentos relacionados ao jogo.